terça-feira, 10 de agosto de 2010

Preconceito em sala de aula

Muitas vezes nas escolas nos deparamos com alunos, ou mesmo professores, extremamente preconceituosos, sendo o preconceito alimento para medidas diferenciadas no trato com outras pessoas podendo inclusive "evoluir" para agressões físicas.
Na comunidade afroamericana, por exemplo, se fala em "imposto negro", ou seja, a noção de que um sujeito negro terá que comprovar sua qualificação no trabalho se mostrando mais empenhado, mais esforçado e atento que um trabalhador branco, pois a estrutura social se fortalece na liderança do elemento branco. Nos EUA isso tem um peso enorme, o preconceito, a autossegregação e o fortalecimento de grupos negros ou latinos são muito comuns com a quase oficialização de espaços desses grupos como os barrios.
Aqui no Brasil vivemos sob a falácia da igualdade das raças, mesmo sendo crime inafiançável, o racismo (velado) está arraigado em nossa estrutura social. Em nosso país tem força também a discriminação contra a mulher, homossexuais, nordestinos, indígenas, deficientes e outros grupos chamados de "minorias". Até hoje não consegui me convencer de que a população negra é tão minoria assim no Brasil, mas enfim... O que se faz no Brasil é criminalizar alguns preconceitos e formas de discriminação (vide: leis pela liberdade religiosa, antirracismo, Lei Maria da Penha...) transformando-os em temas proibidos, o homem é punido pela Lei porque agrediu uma mulher mas o tipo de educação que perpetua esse tipo de trato com a mulher não é atacado, o preconceito em relação à mulher como subserviente e submissa às ordens do homem macho dominador permanecem.
E por que não se discute o preconceito?
O preconceito está em toda parte: nas políticas públicas, nos serviços prestados a população, nos ônibus, nas praças... e nas escolas. Muito tem se falado no bullyng mas esqueceram que muitos desses preconceitos podem ser argumentos para um agressor "justificar" seus atos. E nós professores muitas vezes espremidos em nossos tempos de aula e conteúdos programáticos a serem cumpridos, passamos por cima do espaço pedagógico como ambiente de formação moral do aluno e de debate e reflexão da vida em sociedade, ou dos trapos a que ela se resumiu.
Ao trabalhar o tema preconceito, deve se ter em mente que tal trabalho passa pelo exercício de se por no lugar do outro antes de dispensar tratamento diferenciado a este por conta de uma ideia a respeito dele que nem sempre é verdadeira, o preconceito como concepção prévia.
Por isso indico a todos os colegas que vejam o documentário "Olhos Azuis" exibido há um tempo na GNT, disponível no Youtube e em diversos sites para download (não ponho os links aqui para não ser repreendido pelo blogspot) e pode auxiliar no planejamento de uma atividade que aborde o assunto. O documentário traz a experiência de workshops realizados pela estadunidense Jane Elliott sobre racismo. Para ser exibido aos alunos acho um pouco massante, podendo ser mais útil utilizar os workshops como base para alguma atividade.
Aí abaixo vocês podem ver a primeira parte (de 12) que estão no Youtube, mas para quem tiver interesse em fazer o download basta buscar no Google as palavras: "olhos azuis" + documentário + download
Até a próxima.

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